PROTAGONISMO, FUTEBOL E INTELIGÊNCIA
JANUÁRIO, Sérgio S.
Mestre em Sociologia Política
Talvez a principal conexão entre imagem e expectativa seja a relação emocional que flui entre a emissão e a recepção da imagem. As imagens são sentimentos que devem pertencer também ao observador; registram o sentimento de vitória, conquista, superação, e sensação de triunfo. Para além do que é comum, ‘O Protagonista’ determina o espetáculo da autossuperação. Absorver e interiorizar uma imagem significa mais que os olhos veem: implica em realização pessoal, satisfação íntima e o sabor de se conquistar!
O protagonismo serve muito mais para os que observam. É a mensagem do que eu gostaria de ser, meu desejo de liderar e ser ‘condecorado’, reconhecido, consagrado. “Não basta ser, é necessário parecer ser” [frase atribuída a Júlio César, Imperador Romano por volta de 60 a.C.], diz respeito ao fato de que as ações sociais e políticas precisam transmitir segurança e confiança a quem a recebe. Imagens servem para este fim! Cada um acopla a imagem às suas experiências, regras e valores culturais. O que importa é o fluxo de valores genéricos transferidos.
No futebol os protagonistas são aqueles que realizam os atos apoteóticos, epopeicos [ritos cerimoniais de conceder divindade ao imperador], que se colocam acima dos ‘comuns’. O Goleiro e seus atos repetitivos de defesas difíceis; o Zagueiro que consegue impedir os avanços dos atacantes repetidas vezes; e o Craque que, diante das dificuldades, consegue superar os desafios à sua frente recorrendo às qualidades pessoais. Resolver os problemas com a capacidade pessoal e a qualidade individual é propriamente a conquista. Todos aqueles que tentam simular [fazer parecer ser real um ato falso], dissimular [esconder e disfarçar as intenções que devem ser expostas], ou mentir [ter a intenção proposital de afirmar como verdadeiro aquilo que é sabido ser falso], perdem rapidamente o posto de protagonista: são os falsários. De nada adiantará rolar vinte e oito vezes no chão e fazer contração facial de dor como se o drama pudesse estar no que não aconteceu.
A Inteligência Humana requer, antes de tudo, honestidade social, moral e política. O que se transmite aos outros em Inteligência são expectativas, desejos, conquistas, transformações pessoais e sociais. Isso porque a Inteligência Humana diz respeito a pensar o futuro. A Inteligência serve para se definir Desenvolvimento Seguro para uma cidade em termos de Planejamento Urbano, Mobilidade, capacidade de suporte ambiental, viário, sanitário, econômico. A Inteligência Humana é sobre o futuro, quando se compreende o passado e se interpreta o mundo por meio de conceitos e teorias. Menos opiniões e mais argumentos.
A Inteligência Artificial é a arquitetura do prolongamento do presente, ao invés de ser a invenção do futuro. Entregar o esforço de qualidade para a Inteligência Artificial para simular, dissimular ou mentir sobre as qualidades de criação inventiva e argumentativa transfere aos outros o ‘rolamento’ do ‘falso-craque’. É fato que a Inteligência Artificial tem apresentado resultados fantásticos como meio para a Inteligência Humana.
A potência e a capacidade de realizar milhões de simulações de cenários relativamente seguros sobre as interações de parâmetros se tornaram tão importantes quanto resolutivas. Mas não podem esvaziar o protagonista e sua criação, nem tampouco conceder autoria a terceiros. Dizer que fez sabendo que a autoria é artificial demonstra a dificuldade de agir por si, de driblar os problemas e superar os desafios como ato de conquista. Inteligência Artificial não faz o gol, não é o Craque, embora possa servir como suporte para se pensar o mundo como possibilidade de transformação. A Inteligência Humana é o grande Craque! O protagonista criativo é um excelente goleiro, um zagueiro capaz de interromper os ataques e um atacante preparado para fazer jogadas criativas e fazer a torcida vibrar. A Inteligência Humana é gol de placa!
Sugestão de Trilha Sonora: THE GREAT GIG IN THE SKY
Artista: PINK FLOYD
Autor: PINK FLOYD
Álbum: THE DARK SIDE OF THE MONN
Ano de Lançamento: 1973
Imagem: DO AUTOR