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POR UMA NOVA CONSTITUIÇÃO PARA SEGURANÇA E ESPERANÇA

JANUÁRIO, Sérgio S.

Mestre em Sociologia Política

 

Abusos, exageros, desmesura são fomentos à violência. Quando alguém não percebe os limites de suas atitudes e, em especial, das motivações aos seus comportamentos, todos os cenários éticos e morais ficam em desarranjo. Para as palavras [termo ou vocábulo significativo de uma ideia] ou expressões [frases ou gestos com sentido figurado ou valorativo] as condições são as mesmas. E, por muito, temos assistidos e participado de confrontos sobre “Ser Conservador”.

Sem apuro, sem precisão, sem cuidado, o tal “conservadorismo” se agarra em nossa pele como carrapato cuja função é sugar nossa energia. Há tempos, ser conservador estava alinhado ao atraso, à dificuldade de superar os desafios, ao acomodamento comportamental. Para hoje, lhe veste à sensação de segurança social e moral, da evitação das diferenças. “Tradição, Família e Propriedade” estão revitalizadas frente ao processo civilizacional mergulhado na vida digital. Devemos acomodar, desde logo, distinções entre internet [meio] e redes sociais [conteúdo e substância da individuação].

Logo se nota a dificuldade em produzir precisão sobre o termo “Conservadorismo”. Primeiro porque os próprios conservadores não estão inclinados ao rigor conceitual do caso. Na rotina do uso da palavra se reduz o Conservadorismo a atitudes de fundo moral entre o bem e o mal. Daqui surge o uso de Deus para consagrar o bem. Haveria aí a manipulação sobre o divino e o sacro, como o carrapato preso no corpo.

Na Ciência Política, considerando sua função, o Conservadorismo se alinha à manutenção das estruturas políticas e condições sociais de manutenção do poder existentes contra toda e qualquer força inovadora. Emerge das águas profundas, com a busca exasperada do gole prolongado de ar recuperador, conteúdos de passionalidades. A contraparte, o “Progressismo”, estaria envolvido em otimismos, nas possibilidades de desenvolvimento e aperfeiçoamento humano [indivíduo e sociedade]. É fácil costurar aqui o certo e o errado, o adiantado e o atrasado, o bem e o mal, comum a toda polaridade.

Sem a sistematização intensa das ideias, ficaremos sob a custódia de infinita imprecisão e das camuflagens do camaleão ao ambiente de existência. Para se encontrar proveito conceitual é necessário procurar na História sinais e conteúdos do pensamento e da dinâmica das sociedades. Assim, nossas ideias se fortalecem em argumento e objetividade, e se fazem referência ao nosso pensamento e atitudes. Vejamos que no séc. XVIII, em contexto de grandes transformações sociais e políticas, os indivíduos reivindicavam seu próprio futuro para fugir das amarras de estruturas políticas e sociais conservadoras. Estas estruturas dificultavam o avanço do conhecimento, do desenvolvimento econômico, da criatividade e inventividade humanas. E antes mesmo do início da modernidade, a imprensa de Gutemberg [impressão de livros e jornais] foi prefácio dos ocorridos no Iluminismo.

O Conservadorismo pode servir contra o radicalismo progressista [o inverso é verdadeiro], mas distorce a autonomia individual, coloca no subsolo as possibilidades de pensar os desafios e assumir posturas de criatividade e desenvolvimento, dissimula a realidade no maniqueísmo bem-mal, deixa na contramão a inventividade, e atropela com violência intencional as possibilidades de transformação.

No campo político-eleitoral vimos conservadores atrelados ao poder, salivando os desejos pelo canto da boca, doentes pelo domínio, agindo pela força da vingança. De todos os lados e sob todas as cores produzidas descaradamente como ideologias as condutas são conservadoras. Para cada um vale apenas e tão-somente as condições de acessar ou se manter no poder. Nenhum deles é capaz de defender uma nova Constituição para organizar o país em desequilíbrio estrutural, que segue sendo driblado pelo desejo de poder político sobre orçamento público [feito de impostos, taxas, contribuições...].

Não a Constituição das emendas constitucionais de parlamentares que se deleitam em seus interesses. Um nova Constituição, feita por Parlamentares Constituintes de função exclusiva, sem necessariamente ter vínculo partidário formal, com liberdade de pensar e agir. Acabando sua função, voltam para casa. Uma outra Constituição capaz de reestruturar o Estado Brasileiro, colocar o Parlamento a ocupar seu lugar parlamentar, o Executivo a executar o que deve ser feito, o judiciário a impor sanções e resguardar os direitos que nos cabem. Uma Constituição capaz de reconstituir a segurança e a esperança. Não encontraremos segurança e esperança em outro lugar.

 

Sugestão de Trilha Sonora: REVANCHE

Artista: LOBÃO

Autor: LOBÃO

Álbum: O ROCK ERROU

Imagem: DO AUTOR

Ano de Lançamento: 1986



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