O ABRAÇO FORTE DA CIDADANIA
JANUÁRIO, Sérgio S.
Mestre em Sociologia Política
O período eleitoral marca o “Tempo da Política” para os eleitores. Passamos a consumir e transpirar notícias de todos os ângulos políticos. Temos eventos especiais sobre “o que o eleitor diz”, “o que o eleitor precisa” na TV; especialistas de muitas espécies de reflexão entonam seus timbres para apresentar parâmetros, variáveis e categorias sobre eleições, política, candidaturas, candidatos, partidos. Candidatos se movimentam e até mudam suas declarações de cor entre eleições [909 mudanças entre 2022 e 2026].
O “Tempo da Política” traz para a cena as interações, conexões e inter-relações entre quem vota e quem pede voto. Mutantes no calendário, candidatos “pedem” ao eleitor. A conquista da confiança até a conversão em voto se dá por planejamentos e organizações com equipes relativamente experientes e ajustadas a alguns compostos de concorrência: ambiente político [como conflitos entre partidos do “bem” e do “mal”], ambiente eleitoral [identificação de concorrentes a determinados cargos e formas de disposições das campanhas de adversários], imagem e identidade de candidato [trajetória, família, forças éticas e morais, relações de trabalho], características pessoais de candidato [métrica, ênfase, atos de fala, confiabilidade comunicacional, capacidade de enfrentar pressões, liderança pessoal, carisma], caracterização do eleitoral [recorrência de temas-demanda, perfil e estratificação do eleitorado, interpretação-compreensão-análise-síntese de comportamento do eleitoral, tendências sobre ética-moral].
Tudo alinhado, o candidato procura o eleitor para lhe firmar posição, projetar soluções, consultar seus desejos e necessidades, perguntar sobre a vida, desejos e apetites de futuro. O eleitor, o “Rei do Pedaço”, tem um único instrumento de poder: o voto.
Enquanto falarmos exclusivamente em voto, eleitor, candidato, perdemos o que sustenta [ou deveria sustentar] todo o processo eleitoral: Cidadania. Eleitor difere de Cidadão, neste caso, no tempo e nos posicionamentos. Candidato eleito esquece-se das ruas e das pessoas, das promessas e compromissos. O “Festival da Cidadania” acaba na segunda-feira pós-eleitoral. O terceiro turno, trajado de Cidadania, não acontece. Antes a caminhada na rua, depois “passe no meu gabinete”!
Cidadania é muito e muito mais do que voto. Embora eleições sejam importantes, são insuficientes. Enquanto agirmos por conflitos de oportunismos ideológicos [não agimos por ideologias] ou por contemplação de sacralidade-demonização partidárias, esquecemos do nosso próprio futuro. Eleições não são comparáveis à disputa esportiva porque seu tempo não acaba ao apito da cabine de votação: a cidadania reinicia ali.
Por seu movimento, o eleitor também se dispõe como expoente momentâneo, e é capaz de participar de “bolsa de valores eleitorais” com trocas por cargos ou embolso material; degola, decapita, estrangula a Cidadania. Eleitor-Cidadão vota no futuro desejado sendo o candidato o caminho para a “Arte da Esperança”, o “Meio Pacífico de Mudança”. Ao provocar-se na decisão de votar e expressar seus desejos e necessidades sobre o futuro, recomenda-se analisar as condições educacionais, sistemas de tratamento de doença e saúde, infraestrutura e mobilidade urbana, segurança para viver...
Quando você vota, como ato individual, você escolhe para todos. Ao votar você afetará a vida daqueles com quem você conversa, com aqueles que você não conhece e com aqueles que ainda não nasceram. O voto que é seu, é uma decisão sobre os outros. A Cidadania se alarga para além das teclas-eleitorais que você pressiona!
Sugestão de Trilha Sonora: SEMENTE DO AMANHÃ [NUNCA PARE DE SONHAR]
Artista: GONZAGUINHA
Autor: GONZAGUINHA
Álbum: GRÁVIDO
Ano de Lançamento: 1984
Imagem: GERADA POR IA