LEVANTA-TE E VAI... SEU TRABALHO E IMPOSTOS AOS POLÍTICOS
JANUÁRIO, Sérgio S.
Mestre em Sociologia Política
Os contos de fada começam sempre com a indeterminação de tempo [Era uma vez...] num local fantasioso [...num lugar muito distante]. Em 2015 a Lei 13.165 passou a proibir a doação de pessoa jurídica para financiamento de campanhas eleitorais. Em 2017 foi criado o Fundo Eleitoral para financiamento público de campanha, que juntamente com o Fundo Partidário [1995] sustenta o sistema eleitoral e partidário nacional. Dinheiro público sob comando de congressistas que são os candidatos que usarão estes mesmos recursos: raposas a cuidar das galinhas!
Os recursos são de caráter público e administrado de forma privada pelos presidentes-donos dos Partidos Políticos e endereçados aos candidatos que procuram se reeleger. Sistema perigoso ao juntar poder político e dinheiro público. Podem fazer o que quiserem com o dinheiro que vem de impostos. O Estado Brasileiro engole quase seis meses de trabalho de cada um de nós em impostos e nos devolve, talvez, quatro a cinco semanas: o tempo da política e o tempo da vida de trabalho. Há educação pública, e nossos resultados educacionais, estatisticamente, vivem rastejando nas linhas mais baixas dos gráficos internacionais. Há saúde pública, que se entrega a tentar resolver problemas de doenças e nem disfarça a solidão da saúde preventiva. Medicina de espírito saudável cuida de saúde como prioridade e trata de doença quando precisa. A pavimentação das cidades também vem de impostos. De resto, tudo é pago: sistema sanitário [terceirizado, caro e ineficiente na maioria dos casos]; segurança pública carregada nas costas de mínimos múltiplos incomuns de policiais; BRs e vias estaduais com pedágios...
Agora, tudo recomeça com o acréscimo do ano eleitoral e a “festa da democracia – dia do voto”. Muda o ano, mas não o tempo. A Democracia, em qualquer país de instituições maduras tem custo, mas não custa caro. Não é o nosso caso. Nossos representantes congressuais têm os braços abertos que servem para abraçarem-se a si mesmos, em apego infinito ao poder político e dinheiro público colocados no mesmo baú; o Governo Federal não apresenta plano de sociedade, de futuro, política que possa substituir as coisas do presente em idealização das coisas no futuro; a concentração de poder no STF deforma as regras de cobrança de pênaltis. Por tantas e inequívocas deficiências morais e éticas, democráticas e republicanas, mostram e demonstram afastamento da vida social das pessoas comuns e apego ao baú do poder e do dinheiro. É o relato mais preciso dos requintes de devassidão e dissolução de representação.
É a Economia – sempre tão longe dos resultados políticos, visto que estamos sempre entre as maiores economias e os piores resultados educacionais – que sustenta tudo isso. O trabalho seu e meu de todos os dias [com férias que podem ser vendidas, na contramão dos políticos e juízes com 60 dias, mais recessos e pontos facultativos, auxílios de toda a natureza] que engorda a porca que já não anda. O vício e seu requinte! Criam e recriam impostos, taxas, contribuições num emaranhado difícil de ser elucidado pelo mais renomado Prêmio Nobel de Economia.
São quase seis meses de trabalho para sustentar o Estado [Governos e Congressistas e Sistema Judiciário]. Então, não se demore! Levanta-te! Corre! Prepara-te para trabalhar. Sua dignidade está ali, no mercado, onde você gera respeito e reconhecimento! Vamos logo! Rápido, levanta-te! Prepara-te para gerar riquezas e repassar metade em impostos para sustentar os vícios da política, os viciados no poder político com todos os seus requintes. Um novo ano começou, com as mesmas marcas do tempo!
Sugestão de Trilha Sonora: VAMOS FUGIR
Artista: GILBERTO GIL
Autor: GILBERTO GIL, LIMINHA
Álbum: RAÇA HUMANA
Ano de Lançamento: 1984