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BRASIL DE ONTEM

JANUÁRIO, Sérgio S.

Mestre em Sociologia Política

 

Dormimos no domingo, 25 de outubro de 2026. Hoje, acordamos em 24 de outubro de 2016. O ambiente político e eleitoral está parado no tempo, como rocha ígnea resistente a mudanças tal qual granito. Com tantas e tamanhas contradições, o Brasil mantém tentações de ‘guerra’. Desde o mandato de Dilma Rousseff estamos capengas de suporte político e credibilidade governamental. Chegamos a distorcer a reeleição – que serviu para firmar Políticas de Estado, estruturação duradoura de instituições políticas – e a transformamos em processos de continuidade de poder e ‘poderosos’ demonstrado em processos de combate eleitoral.

Vença quem vencer, não haverá vencedor [este artigo foi elaborado em 25.Out.26, no período da manhã]. Nas condições atuais de concorrência eleitoral e nas fixações do ambiente político, estaremos diante daquele que deixou de perder. É preciso vencer em Política, com gestão e Democracia, espírito republicano e um tiquinho de cidadania. Desviar os desviantes da mão-grande e mão-pequena aos recursos e do patrimonialismo [tornar pessoal e privado o que é coletivo e público.

É preciso entender, especialmente, o deslocamento do centro de poder político desde Fernando Henrique Cardoso e Lula, passando pelos declínios de Dilma Rousseff e Michel Temer, pelas lutas lulismo x bolsonarismo, pelo exercício político de poder do STF e, agora, pela composição do Senado Federal. A queda de Fernando Collor, apossado como Presidente da ‘República’ em março de 1990 e ‘caçado’ em dezembro de 1992 [Caçador de marajás, vejam só!] gerou o desafio de se modernizar o Estado Brasileiro. A centralidade do poder político estava nos assentos do Presidente da República. Este processo durou até 2010, a despeito dos braços fortes e mãos ligeiras do Centrão.  Este passou a decantar o poder político ao abraçar o orçamento público e condicionar as decisões da Presidência da República, diante de Dilma Rousseff: composto político deficiente em hegemonia política e que viu escorrer entre os dedos a mobilização do aparelho e das instituições de Estado.

Nunca se falou tanto em STF [Superior Tribunal Federal] desde 2016. O STF passa a ser o decisor das inquietações políticas e fundou-se como centrífuga política do que se encontra sem amarras na Constituição Federal, a decidir desde galinhas fugidias de quintais rurais às prisões e solturas de bichos de outra ordem de espécie. Presidentes passaram a indicar ‘seus meninos’ à condição de Ministro-Juiz. Por si, a importância dessas indicações seladas ou devolvidas pelo Senado Federal, arregalam a supremacia da Corte Suprema e a primazia do comportamento inclinado de decisões.

Os resultados eleitorais ao Parlamento [Senado e Câmara dos Deputados] atuais esbugalham nova alteração do miolo do poder político. Com aproximadamente 40 senadores, o Grupo PL & Associados terá olhos de guepardo em caça sob/sobre o STF. Vamos viver os mesmos tempos de luta pelo poder, mudando quem segura o cabo do chicote: juízes senadores ajuizando juízos de juízes na Suprema Corte.

O confronto não acaba com a eleição de tantos ontens. É um jogo com prorrogação por largos anos. Você poderá se sentir vitorioso ou derrotado, hoje! Sentimento tão repetido desde 2016. O desafio está para nascer com a chuva cruzada nos ventos de amanhã, com o sol de esperanças vagueando sem lugar para ficar! O Brasil é um país-Abacaxi. A luta é pelo poder, sobre você, diante de você, longe de você!

 

Sugestão de Trilha Sonora: REFAVELA

Artista: GILBERTO GIL

Autor: GILBERTO GIL

Álbum: REFAVELA

Ano de Lançamento: 1977

Imagem: GERADO POR IA



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